Verdades e mitos sobre epilepsia

Epilepsia vem do grego antigo e quer dizer “ataque”, “ser tomado de surpresa” ou “ser agarrado”, e por isso, o termo “ataque epilético” foi muito utilizado na medicina, caindo em desuso e sendo substituído por “crise epilética” por não causar nenhum estigma à doença. Sobre o assunto o filósofo Hipócrates, considerado o pai da medicina, teria afirmado que “a epilepsia tem origem no cérebro, não em deuses”.

A epilepsia é uma doença neurológica crônica, que geralmente é diagnosticada após um ou dois episódios de crises convulsivas.  O diagnóstico é feito pelo médico neurologista por meio do histórico das crises, exclusão de outras doenças e exames específicos, sendo o principal o Eletroencefalograma – que registra a atividade elétrica do cérebro e pode mostrar as descargas elétricas típicas da enfermidade.

As causas da doença muitas vezes não são determinadas (em 40 a 50% dos casos), podendo ser genéticas ou causadas por infecções ou parasitas, AVCs e problemas durante o parto. Já os gatilhos da doença são o controle mal feito, quando a pessoa esquece o remédio, dorme mal, não gerencia o estresse ou abusa do álcool, tem febre, doenças ou é exposta à luzes piscantes, no caso de epilepsia fotossensível.

De acordo com dados do DATASUS / Ministério da Saúde,homens têm mais casos que mulheres. Em um levantamento nacional de internações por epilepsia (2017–2021),cerca de 58% dos casos eram de homens. Quanto à faixa etária, há pico entre 1 a 4 anos de idade e novo aumento de casos entre 40 a 59 anos.

Muita gente confunde epilepsia com convulsão. A convulsão é uma crise, que pode acontecer uma única vez e pode ter várias causas como febre alta, principalmente em crianças, falta de oxigênio, hipoglicemia, diabete não controlada, trauma na cabeça, intoxicação por medicamentos ou drogas e até mesmo uma infecção.

E o que acontece no cérebro durante uma convulsão tanto de uma crise convulsiva quanto em um episódio de epilepsia? O Eletroencefalograma de uma pessoa saudável e ativa é absolutamente “bagunçado” porque a atividade cerebral é assim mesmo, uma hora uma área está mais em repouso, no outro momento é outra área com mais atividade, em outro momento uma área apresenta mais movimento, outra com mais atenção, mais visão.

A crise de convulsão é quando uma área dessa gera estímulos elétricos amplos e intensos, que superam essa “desorganização” e se Propagam, então a convulsão é este fenômeno e que se propaga uma corrente elétrica alta e sincrônica, muito acima do circuito conhecido, quer seja em uma parte ou no cérebro todo.

Nem toda crise convulsiva é Epilepsia, mas a manifestação principal da Epilepsia é justamente crise de convulsão, sendo que tem crises convulsivas que as pessoas desmaiam e outra nãos; crises convulsivas que sequer são notadas porque a pessoa apenas dá uma pequena pausa no que estava falando, como se fosse uma “apagada” quase imperceptível.

As crises de convulsão podem se manifestar com um tremular, com movimentos dos olhos, um bater de braços por exemplo, sem os desmaios. Já os desmaios podem vir com os abalos, que inclusive abala o rosto, range os dentes e por vezes machuca a língua ou a pessoa simplesmente apaga.

O que fazer na criseAssistir a uma crise epiléptica pode ser muito assustador, mas é importante tentar manter a calma e deixar a pessoa o máximo em segurança, afastando dela objetos que possam machucá-la. O ideal é deitar a pessoa de lado e colocar algo macio embaixo da cabeça, nem que seja uma peça de roupa, como uma blusa, além de afrouxar roupas e liberar a região do pescoço. É importante não tentar dar água ou remédios durante a crise e não tentar “desenrolar” a língua da pessoa. A crise dura de 1 a 3 minutos e a pessoa geralmente não tem lembrança do que aconteceu.  Se a crise levar mais que cinco minutos e envolver ferimentos, busque auxílio médico.

Tratamento: Uma pessoa com epilepsia bem acompanhada pode levar uma vida absolutamente normal. O tratamento é feito por meio de medicamentos anticonvulsionantes e há casos, onde a pessoa não responde bem aos medicamentos – que o médico pode indicar uma cirurgia (no caso de foco bem definido da doença).  Há outras opções de tratamento como a estimulação do nervo vago, feita com um pequeno dispositivo implantado e a dieta cetogência (rica em gordura, com pouquíssimo carboidrato e quantidade moderada de proteína, o que faz o corpo mudar a forma de produzir energia, e que costuma reduzir as crises.

Fonte:  Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião com experiência na área de neurocirurgia funcional e dor; coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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Patricia Campos
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