Todos os fins de anos, metas são criadas com entusiasmo, mas são abandonadas poucas semanas depois. Estudo da Universidade de Scranton, na Pensilvânia (EUA), mostra que apenas 8% das pessoas conseguem atingir seus objetivos antes que um novo ano recomece. Para a neurocientista Carol Garrafa, esse fracasso recorrente não acontece por falta de força de vontade ou capacidade: o problema está na forma como as metas são encaradas.
“O cérebro não muda porque você quer. Ele muda quando existe método, repetição, regulação emocional e ambiente favorável”, explica a especialista. Segundo Carol, metas envolvem sistemas emocionais, neurológicos e sociais. Pensar no objetivo é uma etapa cognitiva, mas sustentá-lo ao longo do tempo exige compreender como o cérebro funciona diante do esforço, do prazer, da frustração e das relações. “Quando as metas ignoram essa lógica, o cérebro entra em modo de sabotagem”, afirma.
Segundo a neurocientista, a maioria das metas falha porque a motivação inicial é curta e instável, incapaz de sustentar o comportamento ao longo do tempo. Além disso, metas muito grandes, quando não são desdobradas em etapas menores, geram ansiedade e causam desestímulo no cérebro pelo esforço exigido e a recompensa tardia.
Outro fator determinante é a ausência de significado emocional: quando a meta não faz sentido, estando ligada à essência de quem a executa, o cérebro perde o interesse e tende a desistir.
O isolamento também compromete o processo, já que a falta de apoio social reduz o engajamento e aumenta a autosabotagem. Por fim, muitos interpretam erros como fracasso definitivo, quando, na verdade, o cérebro aprende por tentativa e ajuste. Este, aliás, é um ponto central do processo. “O que destrói uma meta não é o erro, é o abandono após o erro ou falha”, reforça Carol. Para o cérebro, constância imperfeita é muito mais eficaz do que tentativas intensas e curtas.
Para evitar esse ciclo, Carol explica que metas sustentáveis precisam ativar corretamente a química cerebral e respeitar o ritmo humano.
A partir disso, a neurocientista destaca alguns princípios essenciais para transformar a intenção em execução real. Veja a seguir:
- Comece pequeno: micro-ações reduzem a resistência do cérebro e aumentam a chance de continuidade.
- Visualize progresso, não perfeição: o cérebro responde melhor as evidências do que as promessas.
- Crie apoio social: compartilhar metas aumenta o comprometimento e reduz a autossabotagem.
- Alinhe metas aos seus valores: quando não há sentido pessoal, a motivação se dissolve.
- Inclua movimento e regulação emocional: o corpo ajuda o cérebro a atravessar dificuldades.
- Planeje obstáculos com antecedência: prever falhas reduz frustração e abandono.
Fonte: Santé – consultoria especializada em People Skills e neurociência aplicada à liderança, fundada por Carol Garrafa




