Barreiras de comunicação podem dificultar a busca por atendimento médico de emergência durante viagens internacionais
Uma dor intensa, uma queda ou um mal-estar inesperado durante uma viagem internacional podem se tornar situações ainda mais preocupantes quando o turista não domina o idioma do país. Afinal, como explicar os sintomas, localizar um hospital ou pedir ajuda em um momento de emergência?
A dificuldade de comunicação é um dos obstáculos enfrentados por viajantes no exterior.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) reconhece que diferenças de idioma, cultura e legislação podem dificultar o acesso à assistência em situações de emergência.
Uma coisa é saber cumprimentar alguém ou pedir uma informação básica em outro idioma. Outra, completamente diferente, é precisar explicar um problema de saúde, entender orientações médicas e tomar decisões em uma situação de emergência.
O que fazer se precisar de atendimento?
Em situações graves, a orientação é procurar imediatamente o serviço médico de emergência local. Por isso, conhecer os números de emergência do destino antes do embarque é uma medida importante.
Nos países da União Europeia, por exemplo, o número 112 e nos USA 911, permite acionar gratuitamente os serviços de emergência. O atendimento em outros idiomas, entretanto, depende do país e da disponibilidade dos operadores.
Em situações que não representem risco imediato à vida, o viajante deve entrar em contato com a central de assistência do seguro-viagem para receber orientações sobre a rede de atendimento e os procedimentos previstos no contrato.
Um dos pontos que sempre recomendo verificar é se o serviço oferece atendimento em português. Ter alguém que possa orientar o viajante no próprio idioma, especialmente quando ele está assustado ou passando mal, faz muita diferença.
Esse suporte não deve ser presumido: é necessário confirmar previamente os idiomas disponíveis, os canais de atendimento e o funcionamento da assistência no destino escolhido.
Seguro-viagem exige atenção às coberturas
Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), os seguros para viagens internacionais comercializados no Brasil devem oferecer cobertura para despesas médicas, hospitalares e odontológicas, respeitadas as condições contratuais.
Entretanto, os serviços e os limites de cobertura variam. Antes de contratar, é importante verificar se o plano contempla atendimento de urgência, internação, remoção médica e condições preexistentes, quando aplicável. Também é necessário entender se as despesas serão pagas diretamente pela seguradora ou se haverá necessidade de fazer o pagamento do próprio bolso, recolher e apresentar recibos para só então solicitar reembolso.
Não basta contratar o seguro e guardar o documento. O viajante precisa saber como acioná-lo, quais situações estão cobertas e o que fazer se precisar de ajuda. Esse conhecimento faz parte do planejamento da viagem.
Preparação pode evitar dificuldades
Além do seguro, a recomendação é manter acessíveis os contatos de emergência, salvar no celular o número para contato com a seguradora, o endereço da hospedagem, os documentos pessoais e informações importantes sobre a própria saúde, como alergias e medicamentos de uso contínuo (de preferência em inglês).
Aplicativos de tradução podem ajudar na comunicação inicial, mas não substituem atendimento profissional nem devem atrasar a busca por socorro.
A segurança também precisa fazer parte de um roteiro personalizado, principalmente quando a viagem envolve pessoas com necessidades específicas ou destinos onde o idioma representa uma barreira.
“Viajar é uma experiência maravilhosa, e ninguém embarca esperando enfrentar um problema de saúde. Mas saber a quem recorrer, como pedir ajuda e quais recursos estão disponíveis traz tranquilidade para aproveitar a viagem com mais confiança”, comenta Meg Getz.
Fonte: Meg Getz é especialista em turismo internacional e atua no planejamento de viagens e na criação de roteiros personalizados para brasileiros. https://www.instagram.com/viajandocommeg/
