Com a chegada do inverno, muitas pessoas relatam mudanças no humor, aumento da indisposição, dificuldade para acordar, maior vontade de permanecer em ambientes fechados e até alterações no apetite. Embora essas sensações sejam frequentemente associadas apenas ao frio, a ciência mostra que a redução da exposição à luz solar também exerce influência direta sobre o funcionamento do cérebro.
Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, as mudanças de comportamento observadas durante os meses mais frios têm relação com mecanismos biológicos que ajudam a regular o humor, o sono e os níveis de energia.
A luz solar participa da regulação do nosso relógio biológico. Quando os dias ficam mais curtos e passamos menos tempo expostos à claridade natural, algumas pessoas podem perceber alterações no humor, na disposição e até na capacidade de concentração.
Uma menor exposição à luz pode afetar a produção de substâncias importantes para o bem-estar emocional, como a serotonina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e equilíbrio emocional.
Em alguns casos, os efeitos da redução da luz solar vão além de uma simples sensação de desânimo. Existe uma condição conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), também chamada de depressão sazonal, caracterizada pelo surgimento ou agravamento de sintomas depressivos durante determinadas épocas do ano, especialmente no inverno.
Em algumas pessoas a diminuição da exposição à luz solar provoca alterações tão significativas no funcionamento cerebral que elas desenvolvem um quadro depressivo que exige acompanhamento profissional e, em alguns casos, tratamento medicamentoso durante toda a estação. É uma condição reconhecida e que merece atenção.
Os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, fadiga excessiva, alterações no sono, dificuldade de concentração e isolamento social.
Em países onde os invernos são mais rigorosos e os dias têm menos horas de luz, observamos esse fenômeno com maior frequência. Muitas pessoas precisam de acompanhamento específico durante os meses mais frios e conseguem retomar sua rotina normalmente com a chegada da primavera e o aumento da luminosidade natural.
O impacto no sono e na produtividade
Além das mudanças emocionais, o inverno também pode interferir na qualidade do sono. Isso acontece porque a luminosidade influencia a produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do ciclo sono-vigília.
Alguns sentem mais sono durante o dia, apresentam dificuldade para sair da cama pela manhã ou percebem uma queda na produtividade. Essas alterações costumam ser mais evidentes em indivíduos que já possuem predisposição à ansiedade, ao estresse ou a quadros depressivos.
Como minimizar os impactos do inverno na saúde mental
Algumas atitudes simples podem ajudar a preservar o bem-estar emocional durante a estação:
· Aproveitar os períodos de luz natural sempre que possível;
· Manter horários regulares para dormir e acordar;
· Praticar atividades físicas regularmente;
· Evitar o isolamento social;
· Reduzir o excesso de telas, especialmente à noite;
· Manter uma alimentação equilibrada;
· Buscar momentos de lazer e atividades prazerosas.
Essas informações são importantes inclusive para programar sua próxima viagem. Se a opção for destinos frios, com neve, já prepare-se para enfrentá-los; mas se a opção for locais mais quentes e com sol, talvez aproveite melhor suas férias.
