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História: Conheça Dina Barile, primeira e única brasileira a ir para a estratosfera e que ama viajar

 

Por Enza Teles

A jornalista Dina Barile é um exemplo de superação e determinação. Filha de imigrantes italianos que fugiram do caos pós-guerra, viveu uma infãncia bem humilde, quando dependia de boas notas escolares para conseguir bolsas de estudos para poder estudar. Hoje, fala inglês, italiano e espanhol e cursou duas faculdades: Bacharelado em Estatí­stica, na USP; e Ciências Atuariais, na PUC. Prestou concurso para bolsa de mestrado na USP e passou em primeiro lugar, porém, como tinha que trabalhar para seu próprio sustento e o da famí­lia, desistiu da bolsa que exigia dedicação exclusiva. Dina está sempre querendo quebrar paradigmas. “Quero estar à frente do meu tempo”, diz constantemente. Fascinada por novas experiências e por conhecer mais, embarcou recentemente em um caça MIG 29, na base de Sokol, na Rússia e se tornou a primeira e única mulher brasileira a chegar à Estratosfera. No dia seguinte, realizou um voo em gravidade zero .

Dina Barile é uma sonhadora. Mas não dessas pessoas que vivem em um mundo imaginário, que não passa de desejo e de pura fantasia. É que Dina é também uma realizadora, especializada justamente nisso: concretizar aquilo que sonha!

Jornalista apaixonada por turismo, já conheceu 127 paí­ses. Em novembro de 2015, tornou-se primeira brasileira a viajar para a Estratosfera. Para a viagem até a estratosfera, Dina precisou ir até a Rússia. Tudo foi organizado pela empresa do astronauta brasileiro Marcos Pontes. Dina foi a 16.700 metros da Terra, em um caça MIG 29. Fez diversas manobras de combate e foi submetida a uma força 7G (sete vezes o peso do seu corpo). Para isso, se preparou durantes seis meses com uma médica especializada em esportes radicais, tomou vitaminas, passou por vários exames e fez academia (o que detesta). “Sou a primeira brasileira a fazer essa emocionante viagem. Levei a bandeira nacional comigo, conta”.

Recentemente, em dezembro do ano passado, pediu votos na internet para conquistar outro sonho: ser uma das pessoas escolhidas para carregar a Tocha Olí­mpica. O “concurso”, realizado pelo Comitê Olí­mpico Brasileiro, foi apenas entre os 50 mil voluntários já escolhidos para os Jogos. Cada voluntário que quis participar enviou um ví­deo falando de suas motivações e pedindo o voto. Foi escolhido apenas um voluntário em cada estado. Conseguiu! Dina, que trabalhou com voluntária na Copa do Mundo de 2014, foi a voluntária escolhida para conduzir a Tocha Olí­mpica, como a representante de São Paulo, entre todos os inscritos para trabalhar como voluntários nos Jogos Olí­mpicos do Rio de 2016.

O grande sonho, paixão e realização de Dina são as suas viagens. Os números impressionam, mas não revelam tudo: 127 paí­ses já é muita coisa, mas para vários ela viajou diversas vezes. Podemos dizer que esteve 400 vezes em paí­ses fora do Brasil.

Durante os 30 anos em que trabalhou no banco Banespa, viajava sempre nas férias: uma vez por ano dentro do Brasil e no ano seguinte para o Exterior. Depois de aposentada, segue viajando muito. Conhece lugares instigantes e exóticos como Butão, Índia, Madagascar, Islãndia, Namí­bia, Etiópia, Tailãndia, Antártica e Tuní­sia. “Amo viajar e conhecer lugares bonitos e instigantes, mas principalmente conhecer pessoas e culturas. É o que mais me motiva”, conta a jornalista, que criou um Portal, chamado Spot Life.

“Após aposentar-me, montei um site para divulgar e ajudar ONGs e entidades assistenciais que não tinham verba para se promover. O site cresceu e agora é um portal de variedades, onde falo de gastronomia, turismo, moda, comportamento, beleza, celebridades, entretenimento, esportes e lifestyle”, afirma.

Apesar de aventureira, Dina é uma mulher discreta. Desde sempre aprendeu que a discrição e a segurança estavam acima de tudo e que não deveria correr riscos. E também precisou lutar contra a falta de autoestima. “Meus pais eram muito humildes. E, com medo que eu ficasse mimada, nunca me elogiaram e nunca tomaram meu partido. Se alguém brigasse comigo ou me batesse na escola, ao invés de ir lá tomar satisfação, como as mães das minhas amigas faziam, minha mãe dizia: “˜se você apanhou é porque aprontou algo e mereceu”™. Eu era sempre a primeira da classe e mesmo do colégio. Sempre tirava 10 em tudo, me matando de estudar. Se tirasse um 9,5, já não me conformava. Daí­ as pessoas me elogiavam para minha mãe, dizendo que eu era inteligente e ela respondia: “ela não é inteligente, ela é esforçada”. Até mesmo nos esportes eu me destaquei. Cheguei até a ganhar medalha de arremesso de peso”! Não tenho mágoas, porque sei que sempre me amaram e era a forma que achavam que era a melhor para mim. Ainda assim, sei que até hoje muito do que faço é para ouvir que eu sou inteligente e capacitada; é esperando que alguém me reconheça”, diz.

Nossa heroí­na, se considera “Pós Doutorada em Viajologia”, “Já conheci 23 estados em nosso lindo Paí­s e quase 130 paí­ses, em todos os continentes, acumulando conhecimento através do contato direto com outras culturas”, afirma, acrescentando que até fica surpresa com as suas conquistas. Quer exemplos? Dina celebrou aniversário na Antártida em um ano e no Polo írtico no outro, onde foi presenteada por belí­ssimas Auroras Boreais.

Aos 60 anos e solteira, adora viajar e é aventureira, mas no amor prefere relações estáveis. “No Brasil não tenho dado muita sorte com namorados, mas nos extremos até que me dou bem. Encontrei um namorado alemão no Alaska e ficamos juntos por quatro anos e outro namorado, inglês, na Antártida com o qual estou até hoje, desde 2011″, revela.

“Adoro viajar e tenho paixão pelos paí­ses que conheci, mas digo que o Brasil é o paí­s mais belo do mundo e o melhor lugar para se viver. Temos todos os atributos para ser paí­s mais visitado do planeta e transformar o turismo na nossa maior fonte de renda”, afirma, acrescendo que se sente uma embaixadora voluntária do Brasil. “Quero ser um agente transformador para que o Brasil atraia turistas e possamos trocar conhecimento, cultura e informações. Sou determinada em divulgar o Paí­s, incentivando todas as pessoas que conheço ao redor do mundo a vir conhecê-lo. Pode não ser muita coisa, mas adoro saber que faço a minha parte”, finaliza.

Ana Carolina
Ana Carolina
Editora da revista Melhor Viagem 60+ e CEO do Expo Fórum de Turismo 60+

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