Saúde Mental: A necessidade de quebrar tabus

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental é definida como “um estado de bem-estar mental que permite ao indivíduo lidar com os momentos estressantes da vida, desenvolver suas habilidades, aprender e trabalhar bem, além de contribuir para a melhoria de sua comunidade”. Ela engloba o equilíbrio emocional, psicológico e social e tem sido uma preocupação crescente no país.

O estilo de vida contemporâneo, marcado pelo ritmo acelerado, pela sobrecarga de informações, pela pressão profissional e pelo acúmulo de dificuldades emocionais ao longo do tempo, impacta significativamente a qualidade de vida das pessoas. Esses fatores podem desencadear transtornos do sono, ansiedade, depressão, entre outras consequências.

Quando a saúde mental não vai bem, todo o organismo é afetado, inclusive com o surgimento ou agravamento de doenças neurológicas. Problemas emocionais e psicológicos podem ter efeitos devastadores e, em casos mais graves, levar a desfechos trágicos.

Dados estatísticos evidenciam a dimensão desse problema de saúde pública. De acordo com o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental (2019), cerca de 30% da população brasileira apresentará algum tipo de transtorno mental ao longo da vida, como ansiedade, depressão ou transtornos de humor.

Estima-se que aproximadamente 11,4 milhões de brasileiros tenham diagnóstico de depressão, o que contribui para o aumento alarmante das taxas de suicídio no país, com uma média anual de cerca de 13 mil mortes, principalmente entre jovens adultos e pessoas em idade produtiva, reforçando a necessidade urgente de intervenções em saúde mental.

Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco é um movimento de conscientização sobre a saúde mental que tem como objetivo alertar a população sobre a importância do cuidado psicológico e estimular a busca por ajuda profissional. A iniciativa promove qualidade de vida e bem-estar mental, além de quebrar tabus, atuando no combate ao estigma relacionado às doenças emocionais, ao preconceito em relação aos tratamentos e à negligência social sobre o tema, incentivando a reflexão e o cuidado adequado com a saúde emocional.

Cuidar da mente envolve atenção aos sinais do corpo e respeito aos próprios limites. Assim como adotamos hábitos saudáveis para manter o corpo em equilíbrio, é fundamental incluir práticas que promovam o bem-estar psicológico, como atividades de relaxamento, meditação, lazer e, quando necessário, acompanhamento terapêutico.

Buscar profissionais capacitados e espaços seguros para obter ajuda deve ser encarado com naturalidade, pois, da mesma forma que procuramos um médico diante de sintomas físicos, é essencial procurar um especialista em saúde mental quando surgem sinais de sofrimento emocional.

Por Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião, coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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