Planejar uma viagem vai muito além de escolher o destino e organizar o roteiro. Especialistas alertam que cuidar da saúde antes de embarcar é uma etapa fundamental para garantir bem-estar e evitar contratempos longe de casa. Para as mulheres, esse cuidado deve incluir não apenas o check-up clínico geral, mas também exames ginecológicos e avaliações específicas, que ajudam a identificar possíveis alterações e permitem viajar com mais segurança e tranquilidade.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a consulta pré-viagem deve ser realizada entre quatro e oito semanas antes da partida — período suficiente para atualizar vacinas, ajustar medicações e planejar cuidados específicos conforme o destino.
Exames femininos recomendados
Entre os principais exames recomendados, estão:
- Papanicolau (preventivo) – essencial para o rastreamento do câncer do colo do útero.
- Ultrassonografia transvaginal – identifica cistos, miomas, alterações endometriais e inflamações.
- Mamografia ou exame clínico das mamas – indicados conforme idade, densidade mamária e histórico familiar.
- Exames para DST/IST – HIV, sífilis, hepatites, clamídia e gonorreia.
- Avaliação hormonal – útil para ajustes de anticoncepcionais, DIU hormonal, implantes e terapia de reposição hormonal, quando indicada.
- Urocultura – especialmente indicada para mulheres com histórico de cistite recorrente.
- Avaliação da microbiota vaginal – importante para prevenir vaginites que podem ser desencadeadas por piscina, calor e longos períodos com biquíni úmido.
Atenção especial: mulheres com endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP), miomas, histórico de trombose, varizes ou que fazem uso de anticoncepcional oral, terapia de reposição hormonal (TRH) ou implantes devem reforçar a avaliação médica, sobretudo porque voos longos aumentam o risco de tromboembolismo venoso (TEV).
Exames gerais antes da viagem
Além dos exames ginecológicos, o check-up básico inclui:
- Hemograma completo
- Glicemia e perfil lipídico
- Avaliação da função renal e hepática
- Avaliação cardiovascular (pressão arterial, eletrocardiograma e risco trombótico)
- Função tireoidiana
- Dosagem de vitamina D e vitamina B12 (conforme indicação clínica)
- Testes alérgicos, quando necessários
- Avaliação nutricional e de composição corporal, especialmente para quem utiliza medicamentos da classe GLP-1 ou fará viagens longas com esforço físico
Essas informações ajudam a identificar alterações silenciosas que podem se manifestar em situações de estresse ou mudança de rotina.
Vacinas e prevenção
O Ministério da Saúde recomenda a revisão do cartão de vacinas, com atenção especial para:
- Febre amarela (obrigatória em alguns destinos)
- Tétano, difteria e coqueluche
- Hepatites A e B
- Gripe e Covid-19
- HPV (para quem ainda não completou o esquema vacinal)
- Meningocócica, conforme o destino
Em viagens internacionais, pode ser exigida a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação.
Pontos que muitas mulheres esquecem, mas são essenciais
Prevenção de trombose em voos longos
Levantar-se e caminhar a cada uma ou duas horas
Utilizar meias de compressão
Manter boa hidratação
Evitar consumo excessivo de álcool
Avaliar a necessidade de anticoagulação profilática em casos de risco elevado
Saúde intestinal e microbiota
Viagens podem desencadear constipação, diarreia e distensão abdominal. Recomenda-se:
Uso de probióticos
Ingestão adequada de fibras e água
Evitar alimentos crus em destinos de maior risco sanitário
Levar medicação para diarreia e reposição eletrolítica
Infecções urinárias
Calor, desidratação, roupas molhadas e longos períodos sentada aumentam o risco de cistite. Para mulheres com histórico recorrente, recomenda-se:
Realizar urocultura previamente
Ter medicação de uso emergencial, conforme orientação médica
Intensificar a hidratação
Redobrar os cuidados com roupas úmidas e maiôs
Saúde íntima
Piscinas, praias e roupas apertadas podem alterar o pH vaginal. É indicado levar:
Sabonete íntimo adequado
Probióticos vaginais, em casos selecionados
Creme calmante ou hidratante vaginal, especialmente para mulheres em TRH
Uso de medicamentos da classe GLP-1 (semaglutida, tirzepatida)
Avaliar ajuste de dose antes da viagem (náusea associada ao movimento pode intensificar enjoos)
Checar exames de função renal e hepática
Planejar a alimentação para evitar hipoglicemia em dias de atividade intensa
Transportar a medicação em embalagem térmica adequada
Jet lag e sono
Ajustar gradualmente os horários antes da viagem
Evitar cafeína à noite
Considerar o uso de melatonina com orientação médica
Priorizar a exposição à luz natural ao chegar ao destino
Atividades físicas intensas
Para quem pretende caminhar longas distâncias, mergulhar, fazer trilhas ou praticar esportes:
Avaliação muscular e cardiovascular prévia
Suplementação adequada (como creatina e eletrólitos)
Atenção à hidratação e à prevenção de insolação
Preparação final antes de embarcar
Montar um kit de saúde inteligente, contendo:
Estoque extra de anticoncepcionais e reposição hormonal
Analgésicos, antialérgicos e antieméticos
Antissépticos, curativos e repelente
Prescrição médica de emergência, se necessário
Lista de alergias e doenças crônicas
Protetor solar e hidratante
Probióticos, eletrólitos e reposição de magnésio, quando indicado
Fonte: Dra. Daniella Campos Oliveira, ginecologista e obstetra, diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo.





