Viajar está entre os principais desejos dos brasileiros. Pesquisa da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), em parceria com o Datafolha, aponta que 76% da população gostaria de realizar a viagem dos sonhos, embora a maioria ainda não se sinta financeiramente preparada.
Além do planejamento, um fator pode pesar no orçamento sem aviso prévio: as chamadas hidden fees, ou taxas ocultas, que elevam o custo final da viagem. Apesar da facilidade de reservar passagens e hospedagens on-line, o processo nem sempre é tão transparente quanto parece.
Em muitos casos, os preços exibidos inicialmente não incluem encargos extras. Em plataformas de hospedagem, tarifas como adicionais de limpeza, serviço ou taxas locais podem surgir ao longo da compra ou aparecer em descrições pouco claras, o que pode causar confusão e sensação de engano por parte do consumidor. Assim, ofertas que parecem vantajosas à primeira vista se transformam em despesas maiores do que o previsto inicialmente.
Para quem vai viajar para o exterior, também é importante pesquisar taxas específicas aplicadas a turistas. Quem procura onde se hospedar em Tóquio, por exemplo, deve ficar atento a cobranças locais. Segundo a Japan National Tourism Organization (JNTO), visitantes pagam uma taxa de saída de 1 mil ienes como parte de medidas para financiar melhorias na infraestrutura turística do país, valor que deve ser elevado para 3 mil ienes a partir de julho deste ano.
Já na compra de passagens aéreas, custos extras podem surgir na forma de serviços adicionais, como escolha de assento, despacho de bagagem e variações cambiais em compras internacionais.
No Brasil, a transparência na informação é um direito garantido ao consumidor. O artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que todas as condições da contratação devem ser apresentadas de forma clara e adequada.
Segundo informações divulgadas pelo Jusbrasil, taxas que não são previamente informadas no momento da reserva podem ser contestadas. Além disso, a omissão de custos adicionais para atrair o cliente com preços mais baixos também pode ser enquadrada como publicidade enganosa.
Mas, para quem viaja para fora do país, as regras podem variar de acordo com o destino. Em 2025, esse tipo de deslocamento somou 28,4 milhões de passageiros em voos internacionais, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Nos Estados Unidos, por exemplo, a cobrança da ‘resort fee’ é extremamente comum e, para o público local, já faz parte do custo esperado, assim como a gorjeta, que, embora não seja obrigatória, acaba entrando na conta. O problema é que, para o turista estrangeiro, isso nem sempre é óbvio, e a surpresa vem justamente da falta de familiaridade com essas regras.
O que observar antes de concluir a reserva
Alguns sinais ajudam a identificar possíveis cobranças extras ainda na fase de pesquisa. Existem termos que sempre me fazem parar e ler com mais atenção antes de reservar. Expressões como ‘taxes and fees not included’, ‘additional charges may apply’, ‘service fee excluded’ ou ‘pay at the property’ já indicam que o valor final pode ser maior do que aquele exibido na busca.
No Japão, é comum na Europa a cobrança da chamada “tourist tax”. Praticamente todas as cidades turísticas aplicam uma taxa municipal por pessoa e por noite, geralmente paga no check-in. O valor varia de acordo com o destino e, em alguns casos, a categoria da hospedagem.
Para quem busca onde ficar em Roma, na Itália, esse valor pode mudar conforme o padrão do hotel. Nesse caso, o cuidado é confirmar se a taxa já está incluída no preço ou se será cobrada separadamente, evitando pagar duas vezes ou sair do orçamento sem perceber.
Por isso, mais do que considerar apenas o preço, eu sempre recomendo cruzar essas informações com as avaliações de outros hóspedes, especialmente as negativas. É ali que costumam aparecer relatos sobre cobranças inesperadas ou mal explicadas.
Além das taxas monetárias, há também o risco de a experiência não corresponder ao que foi anunciado. Receber um quarto inferior ao esperado pode gerar custos indiretos e frustração durante a viagem.
Na hora do “check-in, é importante ter os dados da reserva em mãos e checar se você está recebendo exatamente aquilo pelo que pagou. Reservar por meio de plataformas confiáveis também é fundamental para ter seus direitos resguardados, caso seja necessário.
Fonte: Maria Fernanda Moro – blog Viaja que Passa




