A estimativa é que mais de 65 mil pessoas vivam com algum tipo de distonia no Brasil. Acomete mais mulheres do que homens.
Asdistoniassão distúrbios neurológicosrelacionados ao movimento, sendocaracterizados porcontrações musculares involuntárias, sustentadas ou intermitentes. Podem serdemédiaalongaduração,queprovocam movimentosrepetitivosanormais e/oualteraçõesposturaisno corpoe podem causar muita dor e fadiga.
Os movimentos são tipicamente estereotipados, em torção, podendo ser tremulantes. As distonias podem ser de origem primária, sendo assim doençaisoladaou podem ser desintoma secundário, como acontecenadoença de Parkinson.
A distonia de causa primária éuma doença rara, sem cura,que surge de maneira gradativacom frequência iniciada ou exacerbada por movimento ou postura, e associada a transbordamento da ativação muscular, provocandomovimentosqueafetamuma parte do corpo (como pescoço, mãos, pés), várias áreas ao mesmo tempo ou até o corpo todo.As distonias podem ser divididas em dois grupos:
DISTONIA FOCAL““ que acometem mãos, face ou membros inferiores.
DISTONIA GENERALIZADA– que acometem diversas partes do corpo, uma metade do corpo, a cabeça e pescoço, ou todo o corpo.
A estimativa équemaisde65mil pessoasvivam com algum tipo de distonia noBrasil.Apesar de rara na população geral, há grupos étnicos que são mais propensos a ter.Acometemais mulheres do que homens e geralmentesurge em pessoas jovens,podendosurgir na 1ª infãncia, como as provocadas por eventos ocorridos durante a gravidez e o parto. Mas há formas de distonia, como a”cãimbradoescrivão”, por exemplo, que surgem na idade adulta.
De diferentes causas podem ter origem genética, hereditária, por intoxicação,como sequelas douso de medicamentos e poraquelasdecorrentes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou traumatismos crãnio-encefálicos.Há casos de distonia que são claramente hereditários, com surgimento em diversas pessoas de uma mesma família. Há casos de distonia que podem surgir em pessoas sem histórico familiar, mas que podem ser de origem genética. Distonia com história familiar e que surgiram em jovens,necessitamserinvestigadascomocausas genéticase herdadas.
As distonias podem causar dores e dificuldades para execução de tarefas simples do dia a dia e para o autocuidado. Podem também causar grande sofrimento emocional devido as possíveis deformidadese a alteraçãoda imagem corporal. Sempre deve ser tratada dentro de um contexto apropriado, não se esquecendo da reabilitação física e usoapropriadode medicamentos.
Como muitas das doenças crônicas,a distoniatem controle. O tratamento inclui fisioterapia, terapia ocupacional, psicoterapia, uso de medicamentos, injeções de toxina botulínica e até cirurgias.Há desde cirurgia em músculos, nervos, medula, implante de eletrodo de estimulaçãoda medula espinal e cerebral superficial e profunda (DBS),bem comoimplante de bomba para infusão de medicamentos no Sistema Nervoso Central.O diagnóstico deve ser feito assim que os primeirossinais e sintomas surgem. Não devemos esperar que uma doença piore para tratá-la.
Fonte: Dr. Kleber Duarte – médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
