InícioAlimentaçãoPão: o alimento que atravessou séculos e ainda divide opiniões

Pão: o alimento que atravessou séculos e ainda divide opiniões

Especialista esclarece 8 dúvidas para consumir sem medo

Caseiro, francês, integral, rústico, como bisnaga, ciabatta, bengala ou de forma.
O que não faltam são opções de pão para se ter à mesa, principalmente no café da manhã.

Com uma história que começa há milhares de anos, quando os egí­pcios descobriram a fermentação do trigo, o pão é um dos alimentos mais tradicionais do mundo e, entre os brasileiros, faz parte da cultura tomar aquele cafezinho com pão e manteiga para começar o dia.

Segundo relatos, os grãos eram consumidos crus, como uma pasta ou mingau, que – por um acidente – caiu sobre uma pedra quente em uma fogueira e, a partir dali a massa passou a ser assada, como conhecemos hoje.

A popular iguaria ganhou uma data especial: oDia Mundial do Pãoé celebrado em16 de outubroe foi instituí­do em 2000, em Nova York, pela União dos Padeiros e Confeiteiros. Mas é um alimento que sempre gera controvérsias sobre sua saudabilidade e presença nas dietas.

“Muitas vezes, o pão já foi colocado na lista dos “˜vilões”™. Mas qualquer exclusão alimentar deve ser avaliada com cuidado. O pão é uma fonte primária de energia, em particular para o cérebro, graças aos carboidratos; contém fibras alimentares, micronutrientes e contribui para a modulação da microbiota intestinal. Nas versões integrais, os carboidratos têm absorção mais lenta e, junto com as fibras, contribuem para manter a saciedade por mais tempo, evitar picos de glicemia e favorecer um melhor trãnsito intestinal”, detalha o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, Fellow da The Obesity Society ““ TOS (EUA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

O especialista comenta que, no pão, estão presentes ainda vitaminas do complexo B (B1 ““ tiamina, B2 ““ riboflavina, B3 ““ niacina, B6, B9 ““ ácido fólico), que auxiliam no metabolismo energético, na função cerebral e na formação de células sanguí­neas, além de minerais como ferro, magnésio, zinco e selênio, e os ácidos graxos saudáveis nas versões enriquecidas com sementes como linhaça, chia e girassol.

Faça a escolha certa.

Integral é mais saudável que o branco?

Nem sempre. Para considerar um pão verdadeiramente integral, ele precisa conter uma alta proporção de grãos integrais. Muitos pães “integrais” industrializados possuem apenas uma pequena quantidade de farinha integral, com vários aditivos e açúcares. Por isso, prestar atenção no rótulo é essencial “” a farinha integral deve ser a primeira da lista.

Fermentação natural traz mais benefí­cios à saúde?

Pode ser uma boa escolha, devido à ação dos microrganismos que ajudam na digestão do glúten e na melhor absorção de nutrientes, além de contribuí­rem para a saúde intestinal.

É um alimento pobre ou rico em nutrientes?

Dependerá do tipo de pão. Os integrais e os de fermentação natural podem conter fibras, vitaminas do complexo B e minerais. Já o pão branco, feito apenas com farinha refinada, terá menos nutrientes.

É possí­vel comer pão à noite?

Não há problema em consumir pão à noite, desde que ele faça parte das necessidades calóricas individuais. O mais importante não é o horário de consumo, mas o balanço energético total e a qualidade da alimentação ao longo do dia. A dica é dar preferência ao integral, pois causa um menor pico de glicose e de insulina.

Pão cabe na dieta? Engorda?

Não há necessidade de excluir o pão em uma dieta de emagrecimento. O pão isolado não engorda, mas deve ser consumido com moderação, dentro de um plano alimentar equilibrado. O que leva ao ganho de peso é o excesso calórico. Atenção aos recheios, como gorduras “” manteiga e embutidos, por exemplo. Se for integral ou de fermentação natural, combinado com legumes, verduras e proteí­nas magras, pode ser uma boa opção de refeição leve.

É proibido para diabéticos?

A resposta glicêmica ao pão está associada ao seu tipo e composição. Pães integrais ou ricos em fibras têm menor Índice Glicêmico e podem ser incluí­dos em dietas para diabéticos, com orientação profissional.

Pode causar inchaço ou desconforto abdominal?

Em algumas pessoas, sim- especialmente naquelas com sensibilidade ao glúten, portadoras de Sí­ndrome do Intestino Irritável ou intolerãncia a algum ingrediente que faça parte da receita do pão.

Se não tem glúten, sempre é low carb?

Não é automaticamente low carb. É importante lembrar que muitas versões usam farinhas alternativas que podem ser tão ricas em carboidratos quanto as de trigo, arroz ou mandioca. O pão sem glúten é indicado para pessoas com doença celí­aca ou sensibilidade ao glúten, mas pode conter aditivos e ter menos fibras e proteí­nas, dependendo da fabricação.

Fonte: Abran – Associação Brasileira de Nutrologia

 

 

 

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