Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia dispensam o visto de turismo para parte dos brasileiros, mas exigem uma autorização eletrônica antes do voo
Brasileiros que viajam como turistas ao Canadá, ao Reino Unido ou à Nova Zelândia podem ser impedidos de embarcar no aeroporto por um motivo simples: confundir “viajar sem visto” com “viajar sem nenhuma autorização prévia”. Nos três destinos, a dispensa do visto tradicional convive com uma autorização eletrônica de viagem (eTA no Canadá, ETA no Reino Unido e NZeTA na Nova Zelândia) que precisa estar aprovada antes do check-in. Quando a exigência é descoberta no balcão da companhia aérea, passagem e hospedagem já foram pagas e a viagem pode ser comprometida.
O risco cresce com o número de pessoas que viajam. Os brasileiros gastaram US$ 17,0 bilhões em viagens ao exterior nos oito primeiros meses de 2026, 17,5% a mais que no mesmo período de 2025 (US$ 14,5 bilhões), segundo a série de viagens internacionais do Banco Central. O primeiro semestre, com US$ 12,6 bilhões, foi o maior da série histórica do BC para o período. O dado mede gasto, não o número de viajantes por destino, mas indica um volume de passageiros que tende a esbarrar nessas exigências.
O eTA do Canadá não vale para todo brasileiro nem para todo meio de transporte
É comum ouvir que ‘brasileiros não precisam de visto para a Inglaterra’ ou que ‘o Canadá dispensou o visto para brasileiros’. Sem explicar as condições, essas frases levam o viajante a acreditar que basta ter um passaporte válido e comprar a passagem.
No caso canadense, o governo permite que brasileiros solicitem o eTA em vez do visto de visitante apenas em duas situações: quem teve visto canadense de visitante nos últimos dez anos ou quem tem um visto americano de não imigrante válido no dia do pedido. O eTA custa C$ 7, costuma ser aprovado em minutos e vale por até cinco anos ou até o fim da validade do passaporte, o que ocorrer primeiro, de acordo com o governo do Canadá. Se for preciso enviar documentos, as instruções chegam por e-mail em até 72 horas.
Há ainda um limite que surpreende: a autorização vale só para quem chega de avião. Quem entra por terra ou por mar precisa do visto de visitante, mesmo com visto americano válido. Isso atinge, por exemplo, o turista que está nos Estados Unidos e decide atravessar a fronteira de carro, ônibus ou trem para conhecer as Cataratas do Niágara pelo lado canadense. O mesmo vale para cruzeiros com escala em cidades como Victoria, Vancouver, Halifax e Quebec.
No Reino Unido e na Nova Zelândia, a exigência alcança até bebês e o prazo varia
No Reino Unido, incluindo a Inglaterra, o brasileiro que viaja como turista, sem visto e sem outra condição de dispensa, precisa da ETA, que custa £ 20 no site oficial. A exigência vale para cada viajante, inclusive crianças e bebês. O sistema é massivo: segundo o Ministério do Interior do Reino Unido (Home Office), 24,8 milhões de autorizações foram emitidas desde o lançamento, em outubro de 2023, até o fim de 2025. A maioria dos pedidos feitos pelo aplicativo recebe decisão automática em minutos, mas o governo britânico recomenda solicitar com pelo menos três dias úteis de antecedência, por causa dos casos que exigem análise adicional.
Na Nova Zelândia, a dispensa de visto prévio para visitas curtas também não elimina a NZeTA. A imigração neozelandesa orienta reservar 72 horas para os procedimentos e alerta que dados de passaporte incorretos podem impedir o embarque.
O prazo oficial mínimo, porém, não é o que o especialista considera seguro. Muitas autorizações são aprovadas rapidamente, mas o passageiro não deve organizar a viagem contando com isso, mas há casos em que a análise se prolonga por semanas, o que pode inviabilizar a viagem.
Do balcão do aeroporto ao site que imita o oficial: onde o erro costuma aparecer
O erro mais frequente, na avaliação do entrevistado, é entender que “sem visto” significa “sem qualquer autorização”. O passageiro costuma descobrir isso no check-in e tenta fazer a solicitação pelo celular, esperando resposta imediata. Se a aprovação não chegar antes do encerramento do embarque, pode perder o voo.
Outro risco são os sites que se parecem com os oficiais. O próprio governo britânico alerta que outros endereços podem cobrar mais e imitar serviços do governo. “Pagar uma taxa, preencher um formulário ou receber um protocolo não significa estar autorizado a viajar. É indispensável conferir a aprovação e sua vinculação ao passaporte correto antes de ir ao aeroporto”, orienta o CEO.
Fonte: Mundo dos Vistos
