InícioBem-estarBrasileiros perdem autonomia mais cedo do que europeus

Brasileiros perdem autonomia mais cedo do que europeus

Achado é atribuído aos brasileiros pelas desigualdades sociais acumuladas ao longo da vida

Um estudo recente que cruzou dados do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros) com os da SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe), uma das maiores bases de dados sobre envelhecimento do continente europeu, utilizando o modelo ICOPE (Integrated Care for Older People) da Organização Mundial da Saúde, identificou que brasileiros começam a perder autonomia para atividades do dia a dia entre 60 e 69 anos, enquanto na Europa esse processo só se inicia, em média, entre 70 e 79 anos.

Para os pesquisadores responsáveis pelo cruzamento de dados, a diferença de uma década não é explicada por fatores biológicos, mas por desigualdades sociais acumuladas ao longo da vida, menor escolaridade, menor acesso à saúde e condições socioeconômicas mais vulneráveis. O fenômeno é descrito na literatura científica como Teoria da Desvantagem Cumulativa.

“O que esse estudo mostra é que a perda de autonomia não é um destino biológico inevitável, é o resultado de uma trajetória. No Brasil, doenças crônicas mal controladas e a perda auditiva não tratada estão entre os fatores que mais aceleram esse processo, e ambos têm em comum o fato de poderem ser percebidos muito antes de se tornarem incapacitantes. É por isso que a identificação precoce faz diferença: quanto antes um risco é percebido, maior a margem para intervir e preservar a independência da pessoa idosa”, explica Marília Berzins, mestre em Gerontologia social e doutora em saúde pública.

O estudo reacende o debate sobre o quanto os sistemas de proteção social de cada país estão preparados para sustentar a autonomia da pessoa idosa. Na Espanha, a teleassistência domiciliar é um serviço garantido por lei e integrado ao sistema público, ao lado de suporte para tarefas domésticas e apoio ao cuidador familiar, parte da infraestrutura de saúde, e não um recurso acionado apenas em situações de crise. No Japão, municípios organizam visitas regulares a idosos que moram sozinhos, com o objetivo de identificar sinais de isolamento antes que ele se torne fator de declínio.

No Brasil, onde uma rede pública equivalente ainda não existe de forma consolidada, serviços de teleassistência têm ganhado espaço como resposta do setor privado a essa lacuna. O modelo geralmente funciona por meio de um dispositivo de acionamento, como um botão de emergência, conectado a uma central de atendimento que opera 24 horas, e que aciona familiares, cuidadores ou serviços de emergência quando necessário. É nesse cenário que empresas como a TeleHelp atuam, oferecendo esse tipo de monitoramento como ferramenta de rastreamento e suporte contínuo no momento em que mais importa: antes que uma situação se torne emergência, e não depois dela.

Fonte: TeleHelp.

 

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